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Soldado-rei que oculta sorte
Como em braços da Pátria ergueu,
E passou como o vento norte
Sob o ermo céu.
Mas a alma acesa não aceita
Essa morte absoluta, o nada
De quem foi Pátria, e fé eleita,
E ungida espada.
Se o amor crê que a Morte mente
Quando a quem quer leva de novo
Quão mais crê o Rei ainda existente
O amor de um povo!
Quem ele foi sabe-o a Sorte,
Sabe-o o Mistério e a sua lei.
A Vida fê-lo herói, e a Morte
O sagrou Rei!
(...)
Fernando Pessoa (poema integral aqui)
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Celebram-se hoje 91 anos da morte de Sidónio Pais, assassinado na Estação do Rossio a 14 de Dezembro de 1918. Foi Presidente da República de Portugal, tendo governado de forma ditatorial. Foi odiado e amado pelo povo, que lhe deu a alcunha de Presidente-Rei.




