quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

EL-REI D. SEBASTIÃO

No dia 20 de Janeiro, de 1554, entre as oito e as nove da manhã, no palácio da Ribeira, nascia D. Sebastião, “O desejado”. Faz hoje 456 anos. D. Sebastião era filho do único filho sobrevivente dos nove filhos de D. João III, o príncipe D. João, e da princesa espanhola, D. Joana, filha do Imperador Carlos V. O pai de D. Sebastião morreu vinte dias antes de este nascer, tinha apenas 17 anos. O infeliz e insensato monarca nunca conheceu a mãe. O nascimento produziu grande alegria entre o povo, que veio para a rua festejar efusivamente o acontecimento. Finalmente, parecia que estava afastado o pesadelo da ocupação estrangeira. Após a morte de D. João III, tomou a regência do reino o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique. Aos três anos, D. Sebastião numa cerimónia protocolar perante toda a corte, tomou nas suas frágeis mãos o ceptro de ouro que foi mandado fazer de propósito para essa mesma cerimónia. Tratava-se de um acto simbólico de investidura. Contudo, só aos catorze anos, foi investido de todo o poder, como monarca absoluto. Educado pelos jesuítas, D. Sebastião desenvolveu, desde cedo, uma personalidade fanática, guerreira, autoidolatrada, psicologicamente perturbada, revelando pouco interesse pelo sexo oposto, e causando, por este facto, grande preocupação a toda a Nação, e ensombrando, assim, mais uma vez a independência de Portugal. Apesar de todos os avisos da sua avó, D. Catarina, do seu tio, D. Filipe II de Espanha, e do seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, D. Sebastião propôs-se organizar uma grande cruzada contra os infiéis do Norte de África, desejando, ardentemente, ser ele próprio o comandante em chefe, na linha da frente. Esta empresa começou a transformar-se numa obsessão que lhe seria fatal. Afastou da corte todos os aqueles que se opunham ao seu sonho quimérico e rodeou-se de bajuladores e de jovens nobres imaturos e sem experiência das armas, mais ou menos boémios, como o seu primo D. António, ex-Prior do Crato ou o jovem Conde do Vimioso. Quanto mais crescia esta obsessão da cruzada, mais desinteresse o jovem monarca tinha pela administração do reino. Desta forma, o reino começou a enveredar para uma perigosa desorientação. O Jovem rei absoluto apenas se interessava pela caça, treinos guerreiros e jogos de canas e touradas. Espírito temerário, aproveitava nos dias de tempestades para navegar até à barra do Tejo, podendo assim demonstrar a todos como era corajoso e, ao mesmo tempo, preparar-se para esse embate com os mouros, que desde sempre idealizara, enquanto D. Catarina e o Cardeal D. Henrique rezavam para que regressasse, ao cais de Belém, são e salvo. Convencido da sua predestinação para um desígnio divino de conquistar e combater os infiéis, deslocou-se, por diversas vezes, a Lagos para aí passar algumas temporadas e sentir o “cheiro” de África. Esse estranho desígnio acabou por se efectivar no dia 25 de Junho de 1578. Nesse dia, a armada, que não ascenderia a 500 velas, depois de levantar ferro de Lisboa, foi lançar âncoras em Oeiras para receber soldados italianos e alemães e rumou a Cádis. Deste porto espanhol, rumou a Tânger, depois, partiu para Arzila e decidiu, então, D. Sebastião marchar, por terra, de Arzila para Alcácer-Quibir. No dia 4 de Agosto, os dois exércitos encontraram-se nas areias escaldantes de Marrocos, num lugar que ficou denominado “a batalha dos três reis”. Conta-se que perante um exército mouro bem preparado e desmesuradamente superior, alguns nobres portugueses disseram a El-rei que iriam morrer todos, ao que D. Sebastião, serenamente, respondera. “Morrer sim, mas devagar”. Terminava assim, sem glória, a dinastia de Avis.

Banos-Garcia, A.V. (2006), D. Sebastião rei de Portugal, Esfera dos livros Editora, Lisboa

Domingues, Mário (1963), D. Sebastião e a sua época, Romano Torres Editora

QUADROS, António (1983), Poesia e filosofia do Mito Sebastianista, Guimarães & Cia. Editores, Lisboa (perspectiva diferente da minha, no entanto, muito interessante.)

José António, professor de Filosofia ESQM

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"Oremos pelo nosso Chefe Salazar"


As pesquisas são, frequentemente, monótonas. Não foi este o caso. Ao vasculhar o Google para um trabalho de Geografia C sobre o nacionalismo, eis que me deparo com um "santinho". Um santinho não é mais que aquilo a que no norte chamamos de pagela, isto é, pequena folha onde consta uma oração, normalmente para obter graças. Algumas explicações:

A 4 de Julho de 1937 seguia, na Av. Barbosa du Bocage, em Lisboa, um Buick que transportava António de Oliveira Salazar. Ditador que tinha, nesse mesmo ano, prometido ajuda a Franco na Guerra Civil que os nossos vizinhos espanhóis travavam. Ia, como disse, Salazar no seu carro, quando é vítima de um atentado à bomba, o único que sofreu durante a sua longa permanência no governo, cometido pelo anarco-sindicalista Emídio Santana.

A opinião nacional ficou, obviamente, chocada. Após o milagre económico que Salazar operou no nosso país, o povo devoto, que o próprio ditador educou como temente a Deus, sente-se pelo susto do chefe amado. A Igreja, apoio incontestável do regime nos seus primeiros anos, responde ao fervor religioso do povo e é por ordem de D. António Antunes, bispo de Coimbra, que se imprime este "santinho", concedendo indulgência (isto é, perdão dos pecados) a quem o rezasse com devoção.

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Observação pessoal: só publico este "santinho" a pedido da Prof. Luísa. Houve anteriores posts sobre figuras históricas portuguesas, feitos por mim, que não foram interpretados no espírito em que os escrevi. Não queria, de todo, que me tomassem por reaccionário. Admiro, como considero que todos deviam admirar, as figuras que fizeram a nossa nação. Nesse sentido, admiro e respeito a memória de Salazar, pelo bem que ele fez a Portugal. Da mesma forma, repudio muita da sua acção. Mesmo assim, paz à sua alma.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

História? Qual História?

A História contra factual tem destas coisas...
De facto, e apesar da falta de rigor da mesma, é saudável reflectirmos sobre o que poderá ter acontecido.

E se o Hitler tivesse ganho a Segunda Guerra Mundial?
E se Napoleão tivesse levado a dele avante?

Niall Fergunson explorou esta vertente mais obscura da História na sua obra The pity of War e concluiu que, se a Alemanha tivesse ganho a 1ªGuerra Mundial, nunca se teria formado o Terceiro Reich.
E se pusermos todos os factos da História tal como a conhecemos em causa? Historiemos sobre isto...


David, 11ºE

Mais um longo contra-ataque...

Sebastião José de Carvalho e Melo foi o primeiro Conde de Oeiras e mais tarde o primeiro Marquês de Pombal, nome com que ficou sempre conhecido. Nasceu no dia 13 de Maio de 1699. Provém da baixa Nobreza, trabalhou com D. João V em Áustria, mas este infeliz com o seu trabalho trouxe-o de volta para Portugal. Tendo assistido a tudo o que acontecera no estrangeiro decidiu aplicar medidas de acordo com as ideias Iluministas. Desempenhou um papel fulcral na aproximação de Portugal à realidade económica dos parceiros Europeus. Executou várias reformas, nomeadamente nas finanças Portuguesas com o “Erário Régio” e no Ensino com a criação de escolas, a extinção da Universidade de Évora e a reforma da Universidade de Coimbra. Acabou na prática com os autos de fé em Portugal e com a discriminação dos cristãos-novos. Subordinou o Clero à Coroa e criou a Real Mesa Censória, desempenhando o papel da Inquisição. Criou também a primeira escola de Comércio na Europa. Foi um dos principais responsáveis pela expulsão dos Jesuítas Desempenhou um papel muito importante no Terramoto de Lisboa de 1755 com a sua frase célebre: “Enterrem os mortos e cuidem dos vivos” um desafio que lhe conferiu o papel histórico de renovador arquitectónico da cidade. Pouco depois juntando tudo isto ao Processo dos Távora, o Marquês de Pombal tornou-se numa personagem muito respeitada.
Para enaltecer mais, o poderio e tudo o que o Marquês foi e fez, direi apenas algumas frases. O Marquês, encontrou um Estado miserável, pobre, com fome, com medo. Como já disse, restaurou as finanças, tornou Portugal um País mais respeitável, rico, independente. Colocou a Nobreza no sítio onde deveria estar, longe da administração do Reino, tornando as ideias que eram defendidas que diziam que a burguesia é que se deveria ocupar desses cargos, visto que a Nobreza era incapaz de tomar conta do assunto, retirou algum poder à igreja, visto que esta apenas servia para encher a cabeça do Povo com superstições. De acordo com o que se havia feito no estrangeiro, criou empresas, deu subsídios, desvalorizando a moeda Portuguesa, tornou-a e a seu país, Portugal num patamar superior e mais competitivo. Como já afirmei, o Marquês, tornou as ruas mais seguras, os criminosos passaram a ser devidamente castigados, fez reformas no Ensino, criando escolas, Universidades, tornando o povo mais culto. Tentou mesmo o impossível, que era tentar educar devidamente a Nobreza. Numa altura, 1755 e alguns anos depois, em que o povo realmente precisou da ajuda do Reino, o Marquês apareceu de forma excelente, forte, indiscutível e fez de Lisboa uma nova cidade, pilotando assim os avanços posteriores da Ciência, ao criar apoios para as habitações contra os sismos, tornando a vida mais segura, mais feliz. Não se limitou a falar de “ideias iluministas”, ele pô-las em prática, criando as habitações todas do mesmo tamanho, entre outras características, para provar que todos nasciam iguais.
Sebastião José de Carvalho e Melo, tornou Portugal um país muito respeitável, não só curou de um Portugal doente, como lhe deu um futuro, um bom futuro. Sem ele, hoje sem dúvida estaríamos numa situação muto pior, Lisboa é uma cidade cheia de turistas devido a este grande homem. E todos os Portugueses se deveriam sentir orgulhosos, agradecidos pelo país que ele nos deu, pela Pátria que curou. Eu estou!
E tenho pena que o Professor José António, com todo o respeito, apenas tenha realçado o julgamento dos Távora, dando uma imagem injusta do Marquês, O julgamento que tanto pode ter sido injusto, quanto justo, não sabemos, não estávamos lá, mas uma coisa é verdade, com a família Távora injustiçada ou não, o Duque de Aveiro é sem dúvida culpado, pois D. Maria nada fez para lhe recuperar o nome.
Glória seja feita ao grande homem que foi Sebastião José de Carvalho e Melo!


José Limão 11E

domingo, 17 de janeiro de 2010

O terramoto de 1755 e o "Inquérito do Marquês de Pombal"

O recente terramoto no Haiti justifica voltarmos ao tema do terramoto de 1755, já abordado no nosso blogue pela prof. Isabel Pinto e pelo aluno David Silva. Também o post do prof. Zé António sobre "a face oculta" do Marquês de Pombal faz despertar o interesse por outras "faces" do estadista. Juntemos, então, os dois temas: terramoto e Marquês, a propósito de um Inquérito.

O terramoto despertou um enorme choque, mas também uma grande preocupação explicativa, quer dentro, quer fora das fronteiras do reino de Portugal. Muitos investigaram e publicaram obras, procurando descreve-lo com pormenor e rigor, e indagar e explicar as suas causas. Terá nascido com o terramoto de 1755 a sismologia. A realização de um inquérito , elaborado em moldes hoje considerados científicos, e conhecido como o "Inquérito do Marquês de Pombal", introduz a ciência da sismologia em Portugal. O ministro envia o inquérito a todas as paróquias do país, com vista ao conhecimento das manifestações e efeitos do terramoto e do maremoto: quanto tempo durou o terramoto?; quantas réplicas se sentiram?; que tipo de danos causou?; o que aconteceu ao mar, rios e fontes?; o que aconteceu aos poços?; onde se abriram fendas na terra?; quais as características do maremoto?; se a maré encheu ou vazou primeiro?; a que altura cresceu a onda?; quantas vezes se deu o fluxo?; quanto tempo levou a água a baixar e a encher?; que animais tiveram comportamento estranho? ... É um conjunto de perguntas de grande pertinência e objectividade. As respostas foram chegando de todo o país e encontram-se, hoje, na Torre do Tombo, o Arquivo Nacional. São excelentes fontes, quer para historiadores, quer para cientistas.

Luísa Godinho

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

AO JOVEM LEITOR

(...)Considerarás o livro uma espécie de instrumento de libertação, um acervo de hipóteses e de pontos de vista que sirvam de excitante do teu intelecto, de ensejo ou de pretexto para tu reflectires, - e nada mais. (...) inspirar-te o desejo de soltares amarras, de fugir do porto, de te aventurares, - se pertences à espécie dos que vieram ao mundo para singrar no oceano da procura livre, entre as rajadas das opiniões, com o horizonte limpo a todos os rumos e aberto à audácia da investigação. Se és assim amigo; se és um espírito, - mete-te à vaga corajosa, e deita o meu tomo pela borda fora logo que te sintas entre mar e céu. Esquece-te de mim (...) ou combate-me até como bom ginasta, com as tuas armas(não com pessoalismo, ou com furores de simplório)...Treina contra mim teus braços ágeis, fere-me com lealdade e a sorrir (...) inspire-te a profundez das águas limpas, possas levar teu barco onde eu não fui.
(...) Mantém-te na facção em que bem quiseres: mas sê apurado, meu jovem inimigo; mas sê homem culto, mas sê europeu! Combatendo sê elevado e sê leal."
António Sérgio escreveu o texto, a que pertence este extracto,em Paris, no exílio, em 1928
Está publicado no Tomo II dos Ensaios, no prefácio à 1ª edição - existe no Centro de Recursos da ESQM. Leiam-no todo, está actualíssimo!
Estas palavras podem aplicar-se ao "tocahistoriar!" - Toca a produzir rajadas!
Publicado por Isabel Isidoro

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O Livro de Cabeceira




The Pillow Book é um filme de 1996 realizado por Peter Greenaway.
Baseado nas Notas de Cabeceira de uma escritora medieval japonesa, Sei Shonagon, a acção desenvolve-se em Quioto. A protogonista é Vivian Wu, na pele de Nagiko, uma jovem que terá a sua vida sexual marcada pela escrita e os caracteres da língua, gravados no seu corpo.
Procurando o seu amor ideal, encontra Jerome em Hong Kong, uma tradutor. Apaixonada, acaba por descobrir uma relação homossexual que este tem com um homem bem mais velho.

Peter Greenaway nasceu no País de Gales em 1942 e é um conceituado cineasta. De entre os seus filmes mais conhecidos saliento também O Bebé de Macon (1993).

Tomás, 11E