sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A Terra Fria


Ontem, dia 18, tivemos (professores e alunos do 11ºE) o grande privilégio de acompanhar o David Silva no lançamento do seu primeiro livro de poemas, A Terra Fria. Foi um serão inesquecível junto do David, dos seus pais e de amigos que se reúnem regularmente para desfrutar do prazer da poesia. Amantes da palavra escrita, declamada e musicada, proporcionaram-nos um momento cultural muito singular. Ouvimos poemas do David e de outros autores, poesia em mirandês, gaita de foles, canções populares...
No final da sessão o colega de turma João Mateus pediu a palavra e enalteceu o David, particularmente pela pessoa distinta que ele é. O João transmitiu o sentimento de todos nós.
Curiosamente, uma senhora sentada à minha frente perguntou, em seguida, qual era a escola dos jovens. Respondi-lhe que eram da Quinta do Marquês. - Que sorte têm os professores dessa escola!, concluiu a referida senhora.
Temos, realmente. muita sorte!

Luísa Godinho

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Adesão da Turquia: sim ou não?


A Turquia vive um conflito entre os islâmicos moderados e os fundamentalistas. Felizmente, o governo e a maioria das patentes das forças armadas são moderados, mas precisam da ajuda dos países democráticos para evitar que a Turquia se transforme num país fundamentalista. Convém não esquecer que a Turquia tem o sétimo exército mais poderoso do mundo.

Quando estive em Istambul, vi, no estreito do Bósforo, várias plataformas petrolíferas. Instambul é uma cidade verdadeiramente cosmopolita e ocidental. Na avenida principal de Istambul, visitei uma lindíssima igreja cristã e não era a única em Istambul. Penso que a Turquia, desde a visita de Barak Obama, deixou de estar interessada em aderir à U. E., vamos lá saber qual a razão?!... A U. E. perdeu, desde há algum tempo, a sua identidade, sobretudo, a partir da adesão dos países do leste, ex-comunistas. Neste momento, aquilo que denominamos U.E. é um conjunto de estados diversos, em que alguns deles nunca foram um bom exemplo de democracia e que vivem em situações políticas muito periclitantes, como é o caso da Ucrânia. Os recentes países que aderiram à U.E. estão longe de cumprir os critérios de Copenhaga, mas, no entanto, nem por isso deixam de pertencer à União.

Na verdade, qual o interesse da Turquia em entrar numa U.E., uma União com 85 milhões de pobres, repito 85 milhões de pobres, e mais de 25 milhões de desempregados? A Turquia continua a ser um país da N.A.T.O. de corpo inteiro, com o apoio militar da maior potência mundial, os E.U.A.

Lamento, mas a E.U. não é herdeira desse “espírito ocidental”, mas, sim, de uma economia de mercado que colide, há muito, com os valores cristãos, valores que não são abstractos, uma vez que estão explícitos nas encíclicas dos Papas contemporâneos, João XXIII, (Pacem in Terris) Paulo VI (Populorum Progressio), João Paulo II (Laborem Exercens), (Centesimus Annus), Bento XVI (Caritas in Vertitate). Lamento, mas o projecto Europeu constituiu, a meu ver, um projecto de despiritualização, de materialização dos valores europeus, dominados por uma ideologia tecnocrata, sem rosto e niilista. O problema da U.E. não é a Turquia, mas a própria U.E.

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html

José António, Prof. de Filosofia da ESQM

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O General sem medo


Humberto da Silva Delgado participou activamente no golpe militar de 28 de Maio de 1926, que levou ao derrube do regime republicano parlamentar e instituiu a ditadura militar que vigoraria até 1933, data em que foi constituído o Estado Novo, liderado pelo Doutor António Oliveira Salazar. Delgado foi durante alguns anos grande defensor do regime, devido, sobretudo, ao seu carácter anti-comunista. Depois de ter ocupado elevados cargos nas Forças Armadas, foi nomeado, em 1952, adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos Representantes Militares da NATO. Durante a sua estada nos EUA, Delgado modificou as suas concepções políticas. Foi, então, em 1958, convidado por opositores ao regime de Salazar a candidatar-se à Presidência da República, opondo-se ao candidato do regime, o Contra-Almirante Américo Tomás. Aceita e congrega à sua volta toda a oposição ao Estado Novo. Quando foi entrevistado durante a campanha eleitoral e lhe perguntaram o que faria a Salazar se vencesse as eleições, o General Delgado respondeu peremptoriamente: “Obviamente, demito-o”.

Embora tenha tido um apoio popular sem precedentes, acabou por perder as eleições devido à fraude eleitoral montada pelo regime de Salazar. Após a derrota eleitoral, foi perseguido e teve que se exilar no Brasil. No dia 13 de Fevereiro de 1965, em circunstâncias pouco esclarecidas, julgando ir ao encontro de opositores a Salazar, é assassinado, em Badajoz, juntamente com a sua secretária, por agentes da PIDE, liderados pelo inspector Rosa Casaco. Depois da revolução dos cravos é promovido a Marechal, a título de póstumo, e cognominado “General sem medo”. O General Humberto Delgado é um símbolo da resistência não-comunista ao regime ditatorial, uma das figuras mais importantes da nossa história contemporânea. Ontem, dia 13 de Fevereiro, fez, exactamente, 45 anos que o general tombou em terras de Espanha, junto à fronteira portuguesa, desaparecendo com ele todas as esperanças dos democratas, e de toda a oposição não-comunista.

José António, prof. de Filosofia da ESQM

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A construção da UE: Turquia, o sim assim não!

O jornal I noticiou hoje mais um atentado aos direitos humanos na Turquia: Turquia: adolescente enterrada viva por falar com rapazes.

É assustador ler uma notícia como esta nos dias de hoje:

«O "crime" de Medine Memi foi apenas um: ter amigos do sexo masculino. Depois de a jovem de 16 anos ter sido dada como desaparecida durante 40 dias, o seu corpo foi encontrado enterrado por baixo de um galinheiro no quintal da sua casa. Medine foi enterrada viva pela família, como castigo pela infelicidade que, diz o pai, trouxe a toda a família, por ter amigos rapazes.»

Este crime hediondo ocorre aqui ao lado, num país que está parte na Europa, parte na Ásia. Num país que, pasme-se, é um forte e persistente candidato a aderir à União Europeia, aquela que tem uma Carta Europeia de Direitos do Homem, e um Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Serão só pormenores?

A verdade é que, ao contrário do que os nossos partidos de forma politicamente correcta nos querem fazer crer (excepção seja feita ao CDS), a Turquia ainda não está prepara para entrar na União Europeia.

Este estado, que se diz laico mas é dominado pelo Islão, alberga o radicalismo da religião de Maomé, não cumprindo os critérios da democraticidade exigidos pelos critérios de Copenhaga (nomeadamento o critério político).

A União Europeia foi construída e fundada em ideais que não se podem descartar assim! O espírito ocidental, de inspiração cristã e democrática, herdeiro de uma história civilizacional imensa, opõe-se fortemente ao que encontramos na Turquia, e é principalmente por isso que não concordo com a entrada desta na UE. Pelo menos, assim não!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

La Carmagnole


A Carmagnole - ou dança à volta da guilhotina - foi uma canção revolucionária dos sans-culottes, com origem anónima. A sua letra enaltecia as acções do povo na rua durante o período da Revolução Francesa, sendo a primeira registada de Agosto de 1792 e sucessivamente alterada em 1830, 1848, 1863 e 1882, pelo que podemos afirmar que teve diferentes usos, consoante as ocasiões. É especialmente irónica quando chama aos monarcas Madame e Monsieur Veto (Senhora e Senhor Veto).













Tomás, 11E

La Marseillaise


Inicialmente chamado de Chant de marche des volontaires de l'armée du Rhin (Canto de Guerra para o Exéricto do Reno), o hino francês é uma canção revolucionária composta a pedido do barão de Dietrich, dias depois da declaração de guerra ao imperador austríaco.
Inicialmente composta para entusiasmar os soldados, a sua popularidade estendeu-se por toda a França revolucionária, tornando-se especialmente usada nos exércitos de Marselha. Em 1795 a Convenção adopta-a como hino nacional, sofrendo um longo interregno durante a época do Consulado e depois com a restauração, com Luís XVIII. Finalmente, na III República, em 1879, ganha carácter definitivo.
Existem diversas versões da peça, destaque para a orquestração feita por Berlioz.

Tomás, 11E

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um conto de António Sérgio


A dança dos Meses

Eram uma vez duas velhinhas, que moravam numa casa ao pé de uma mata. Tinha cada uma o seu quarto de cama, e havia uma sala de jantar para as duas manas. Uma delas chamava-se Eusébia, e a outra, Adelina.
Uma manhã, a tia Adelina levantou-se cedo - muito cedinho, varreu o quarto, fez a cama, e saiu. Foi andando por ali fora com seu passo curto e apressadito, para ir apanhar na mata alguma lenha. Em certo momento, viu um pássaro -piu, piu, piu, - que andava aos saltos diante dela, que piava, e que se não ia para longe da nossa velha. A tia Adelina gostou do pássaro, sorriu-Ihe, cantou, e foi seguindo por onde ele queria. Seguiu, seguiu, seguiu, e o pássaro sempre a pipilar - piu, piu, piu, - e a nossa velhinha atrás do pássaro. Em certo momento, chegou a um rio, e apareceu-Ihe uma casa por detrás de um salgueiro, toda coberta por folhas de hera. O pássaro saltitou para lá, e a velha entrou. Achou-se numa sala muito grande. Em volta, junto às paredes, estavam doze rapazes muito bonitos, vestidos de seda, cada um com o fato de sua cor. Os rapazes chegaram-se, formaram uma roda, e começaram a dançar em redor da velha:
Gira a roda, gira, gira, É um ano inteiro na gira, São três por quatro a girar: Quem é que gira na roda? Quem é que canta esta moda? Quem é que baila a cantar? Gira a roda....gira...gira, Gira...gira...gira...gira, São três por quatro a girar!
A velha sorria, muito entretida a ver a dança. Quando pararam, um dos rapazes perguntou-lhe: "De qual dos meses gostas mais?"
A tia Adelina olhou para ele muito risonha, e respondeu -lhe: "Ora, de qual gosto mais! Gosto de todos. Todos eles são bons".
"Todos bons? - insistiu o rapaz. - Todos eles igualmente bons? Pois achas que Dezembro e Janeiro, com chuva e frio, são tão bons e agradáveis como o mês de Abril, com suas flores?"
"Ora - respondeu a velha -, se não chovesse nos outros meses, não poderia haver as flores no mês de Abril. Todos são bons. Já lhes disse que me agradam todos". E sorria.
"Está bem, está bem - respondeu o rapaz que lhe falara. - Toma este saco. Dou-to de presente com o que tem lá dentro. Quando quiseres, podes sair"
A tia Adelina agradeceu, saiu, disse o seu adeus ao passarito, voltou pelo caminho por onde tinha vindo, e chegou enfim à sua casa.
A mana Eusébia, já levantada, estava a varrer o seu próprio quarto, e mal disposta, rabugenta, por ter de fazer esse trabalho.
Disse-lhe assim a mana Adelina: "Não te apoquentes por tão pouca coisa. Eu vou ajudar-te". E ajudou-a. Quando acabaram, a tia Eusébia perguntou à outra: "Que trazes tu naquele saquinho?"
A tia Adelina respondeu: "Nem vi ainda. Deram-mo numa casa da mata uns rapazes que lá achei. Vamos abri-lo". A tia Adelina abriu o saco, e ficou espantada. De cada vez que metia a mão, saia de lá de dentro uma coisa boa. Era um vestido, que lhe servia muito bem; eram roupas brancas muito finas; eram lindas frutas de conserva; eram... eu sei lá! Eram tantas coisas, que parecia impossível que pudessem caber naquele saquinho.
E a tia Eusébia disse então: "Bonitas e boas coisas te deram os tais rapazes, não haja dúvida. E agora dize: como foste parar à casa deles?"
"Ora, é muito simples". E a tia Adelina explicou-lhe tudo: a estrada, a mata, o rio, o pássaro, o salgueiro, a casa coberta de folhas de hera...
A mana Eusébia só resmungou: "Está bem, está bem. Pois sempre tiveste muita sorte, ó mana Adelina! Foi sempre assim!"
A tia Adelina respondeu-lhe: "Lá isso é verdade. Foram muito bons os rapazinhos. Temos aqui muita coisa boa para nós as duas".
No dia seguinte muito cedo, pela manhã, a tia Eusébia levantou-se muito cedo, vestiu-se, saiu, e foi pelo caminho que a mana Adelina lhe ensinara. Chegou ao rio, e apareceu-Ihe a casa por detrás do salgueiro, toda coberta de folhas de hera.
A velha entrou. Viu-se na sala grande. Os rapazinhos lá estavam. Uniram as mãos, e dançaram em roda:
Gira a roda, gira, gira, É um ano inteiro na gira, São três por quatro a girar : Quem é que gira na roda? Quem é que canta esta moda? Quem é que baila a cantar? Gira a roda...gira...gira, Gira...gira...gira...gira, São três por quatro a girar!
Enquanto os rapazes dançavam, a tia Eusébia aborrecia-se; já lhe parecia dança de mais.
Quando pararam, um deles adiantou-se e perguntou: "De quais dos meses gostas tu?"
A tia Eusébia resmungou: "Ora, que ideia! A que vem a pergunta sobre os meses? Eu sei lá! Cá para mim, são todos maus. Uns dão frio; outros dão vento; outros, calor. Todos me custam a aturar."
"Está bem, está bem - respondeu o rapazinho. - Toma este saco. Dou-to de presente com o que tem lá dentro. Adeus. Podes sair".
A tia Eusébia lá se foi com o seu saquinho, voltou pelos sítios por onde tinha vindo, chegou a casa, não disse nada à sua mana, fechou-se no quarto muito bem fechada, e abriu o saco...
Ih Jesus! No saco só havia lagartos!
E acabou-se a história.
Isabel Pinto