domingo, 11 de abril de 2010

Mais uma vez o Marquês...


Desta vez fui encontrar o Marquês em Vila Real de Santo António, Algarve.
Cidade de traçado geométrico, mandada erigir em Dezembro de 1773 por ordem do Marquês, desenvolveu-se numa malha urbana ortogonal perfeita, centrada na Praça Marquês de Pombal. Quatro torreões pombalinos marcam os vértices da praça central, perfeitamente quadrada.
Os edifícios foram construídos à base de peças pré-fabricadas que depois eram aplicadas no local, tornando a construção mais uniforme e célere. As obras ficaram concluídas a 13 de Maio de 1776.
O objectivo da edificação de Vila Real de Santo António era o de controlar o comércio neste importante ponto de fronteira e desenvolver as pescas, que mais tarde fariam surgir a industria conserveira.
Cidade muito interessante, esta "vila real"!

Luísa Godinho

sábado, 10 de abril de 2010

O Massacre de Katyn

O filme “Katyn” do cineasta polaco Andrzej Wajda,
cujo pai foi um dos oficiais polacos assassinados


Katyn, floresta a 400 Km a ocidente de Moscovo, é lembrada pelo terrível massacre de cerca de 22 mil oficiais, intelectuais, religiosos e proprietários rurais polacos, executados entre Abril e Maio de 1940, durante a II Guerra Mundial, pelas tropas de Estaline. O local também registou a morte de milhares de soviéticos perseguidos pelo regime estalinista.
Nas vésperas da II Grande Guerra a Alemanha e a URSS tinham assinado um pacto de não agressão que previa, ainda, a repartição da Polónia entre si. A 1 de Setembro de 1939 a Polónia é invadida pela Alemanha e duas semanas mais tarde pelas tropas soviéticas. Milhares de polacos são feitos prisioneiros pelos russos, parte deles é libertada, mas mais de 20 mil serão assassinados na Primavera de 1940 em Katyn e noutras localidades.
Em 1943 a Alemanha invade a URSS, quebrando definitivamente o pacto de não-agressão, e as tropas alemãs hão-de descobrir em Katyn as valas comuns, cheias de cadáveres polacos. Os russos são acusados pelos nazis, mas recusam essa responsabilidade e atribuem aos alemães a autoria dos massacres. Só em 1990, o presidente russo Mikhaïl Gorbatchev reconheceu a responsabilidade da União Soviética no massacre de Katyn.
Comemora-se esta semana o 70º aniversário do massacre, através de cerimónias que juntam pela primeira vez russos e polacos, e foi a caminho da Rússia, para uma homenagem às vítimas desse massacre, que o presidente polaco, a esposa, vários membros do governo, o presidente do Banco Central, deputados, militares, líderes religiosos... encontraram hoje a morte... na mesma floresta.

Luísa Godinho


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sugestão para a interrupção lectiva - II


Natureza-Morta de Josefa de Óbidos

O Museu Gulbenkian tem patente até 2 de Maio uma exposição muito interessante sobre Naturezas Mortas, de autores europeus dos sécs. XVII e XVIII. A exposição está organizada por ordem cronológica e por núcleos temáticos (flores, frutos, peixes, caça, crustáceos, cozinhas, doces, pão, instrumentos musicais, ...).
As naturezas-mortas, em séculos de fome e crise, como o foi o séc. XVII, representam uma variedade e riqueza de alimentos e objectos "desajustados" à realidade. Daí a curiosidade deste tema da pintura europeia, que pretendia expressar a riqueza daquele que encomendava o quadro ou a evocação de uma abundância perdida??
Entre as 71 obras em exposição, de pintores muito conceituados nesta forma de arte, encontram-se dois quadros da pintora do séc. XVII, nascida em Sevilha, mas que viveu em Portugal desde os quatro anos de idade (filha de um pintor português e de uma senhora da Andaluzia), Josefa de Ayala Figueira, ou Josefa de Óbidos.
Aproveite, vá ver a exposição e passeie depois pelos sempre bonitos jardins da Fundação.

Luísa Godinho

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sugestão para a interrupção lectiva - I

Cinderela







Contaminação


Encontra-se no Centro Cultural de Belém, no Museu Berardo, uma exposição antológica da obra de Joana Vasconcelos, até 18 de Maio próximo.
Aproveite estes dias sem aulas para desfrutar da obra da artista. Surpreenda-se com a sua criatividade e espante-se com os materiais que usa nas suas obras.
A sociedade, os quotidianos, a religiosidade, a tradição e a modernidade... são reconstruídos, problematizando a cultura portuguesa e universal.
A não perder!

Luísa Godinho

segunda-feira, 22 de março de 2010

Rosa Coutinho, o Almirante Vermelho



Estamos a aproximar-nos do 25 de Abril, efeméride em que mais uma vez, este ano à sombra das comemorações da República, será lembrada a grandiosidade do movimento dos Capitães de Abril. Rosa Coutinho era um deles, o enviado do MFA a Angola, para "tratar" da descolonização, e possivelmente um escolhido da URSS para a missão. Foi pelas suas mãos que chegaram a Angola armas, e sob a sua direcção que começou a sangrenta Guerra Civil que envergonha o nosso processo de descolonização.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Questionando o Comportamento Humano



Tem este post o propósito de levantar algumas questões sobre o filme inglês com o título original “Good”, a que foi atribuído em Portugal o título “Homem Bom”.
Centrando-se na problemática da ascensão do nazismo, este filme, entre outras questões, coloca o dedo na ferida, ainda hoje cravada na alma da maioria dos alemães em primeiro lugar e dos europeus em geral: Como foi possível? Como “alinharam” os nossos pais e avós neste processo? Lembremos que Hitler chegou ao poder pela via democrática….
Parece-me que não basta explicar o horror do nazismo pela brutalidade das forças repressivas, pelo meticuloso método de controlo do pensamento dos alemães promovido pelo ministério da propaganda de Goebbels, pela pavorosa criação de um clima de medo, pela emotividade dos discursos de Hitler, pelo planeamento do holocausto, pelo tenebroso contributo do sinistro Himmler, pelo apelo ao que há de mais irracional no ser humano em tantos e tantos discursos, filmes, paradas militares …
Muito alemães ainda hoje sentem a necessidade de se justificarem permanentemente, ou através da descrição das circunstâncias em que “as coisas” ocorreram, também se afirma que as pessoas não sabiam o que se estava a passar…Existem ainda alemães que não conseguem falar deste assunto, tal é a dificuldade em verbalizar as perguntas e dúvidas que se lhes colocam perante o nascimento deste monstro no coração de um dos países europeus cultural e civilizacionalmente mais avançados. Para estes alemães e europeus aquelas explicações não são suficientes. É preciso pensarmos nos comportamentos individuais, nos actos do dia-a-dia de cada um de nós, e neste caso dos nossos antepassados recentes… Quanto a mim este filme lança questões para este debate.
Um bom exercício para tentarmos perceber melhor o que se passou e talvez para percebermos se somos Homens (e mulheres) “bons”é colocarmo-nos no lugar daquela personagem “Halder” e imaginarmos o que faríamos nós naquelas circunstâncias?
Teríamos colaborado com aquelas autoridades políticas sem hesitar, como o protagonista do filme? (é claro que a maioria dos alemães não tinha conhecimento do que se estava passar: perseguições, campos de concentração, no entanto, tinham muitas outras informações….) Mas …reparemos que Halder ( Professor universitário, homem reconhecidamente culto e informado) sabia que o seu amigo fora proibido de exercer medicina pelo simples facto de ser judeu! Volto à minha pergunta inicial: Teríamos, nós, dado ajuda aos nossos amigos?
Depois deste exercício se acharmos que não conseguiríamos fazer melhor do que ele, parece-me importante reforçar o nosso espírito de “alerta” o mesmo é dizer o nosso sentido crítico, tornarmo-nos mais “avisados”, informados e corajosos, ou seja mais humanos.
Parece-me que este “Homem do filme”, só aparentemente é bom. Porque é muito hesitante, porque se protege demais, lembremo-nos que a certa altura diz Para Maurice, que lhe pede ajuda…” Mas são eles que estão no poder!”…é como quem diz … Se eles estão no poder eu tenho que colaborar, para me defender, tenho que obedecer, não me posso prejudicar…Trata-se aqui de uma questão moral de enormíssima importância. É aqui que se estabelece a diferença entre um verdadeiro ser Humano e alguém que anda por aí, para defender a sua “vidinha”. Estarei a exagerar?
Claro que Halder (de passagem pelo campo de concentração) descobre a tragédia! Começa a sentir-se muito mal consigo próprio… esta personagem é obviamente muito diferente dos monstros que, com Hitler, organizaram o Holocausto, mas, quanto a mim, este professor universitário personifica os milhões de alemães, europeus, norte-americanos… que também tornaram possível o holocausto.
O que será então um Homem Bom? Fica a pergunta para quem quiser comentar.
Sabemos que algumas pessoas de grande coragem ajudaram de forma muito consequente os seus amigos, e em alguns casos milhares de desconhecidos. Aos meus alunos do 9ºA e 9ºB recomendo o visionamento do filme a “Lista de Schindler” (existe no centro de recursos) e uma pesquisa sobre o nosso Aristides de Sousa Mendes. Os resultados dessa pesquisa podem ser publicados aqui no “Toca a Historiar”.
Isabel Isidoro

segunda-feira, 15 de março de 2010

Palestra sobre o Holocausto


Jardim dos Justos, JerusalémO Dr. Amir Sagie, da Embaixada de Israel, proporcionou à turma do 12º ano de Humanidades uma aula diferente, onde foi tratado o tema do Holocausto.
Relacionando as perseguições aos judeus, no séc. XX, com a subida ao poder do Partido Nazi na Alemanha, retratou a evolução dessas perseguições e referiu-se à Noite de Cristal, às deportações, à criação de guetos e à "Solução Final", com a criação de campos de extermínio.
Na parte final da palestra, o Dr. Amir Sagie destacou a acção e a personalidade de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus que, desobedecendo a Salazar, salvou milhares de judeus com os vistos de entrada em Portugal que passou. Valeu-lhe esta conduta um processo disciplinar, a despromoção, a reforma compulsiva e uma imensa dificuldade em sobreviver com a família de 14 filhos.
Aristides de Sousa Mendes é o único português que faz parte dos "Righteous Among the Nations" (Justos entre as Nações) no Yad Vashem Memorial, em Israel. No Verão passado tive a oportunidade de participar numa cerimónia em sua memória, neste Memorial, onde, no Jardim dos Justos, há um enorme pinheiro com o seu nome.
Após esta palestra tão interessante e as actividades que têm sido desenvolvidas à volta do tema do Holocausto, ficou nos alunos o desejo de conhecer mais sobre a cultura e a religião judaicas.

Luísa Godinho