terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia da Música na ESQM -II



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Dia 1 de Outubro de 2010, Dia da Música na ESQM

DIA DA MÚSICA NA ESQM



O Dia Mundial da Música foi instituído em 1975 pelo Internacional Music Council, uma ONG sob o patrocínio da UNESCO, que pretende preservar a paz e a amizade por intermédio da música.
Este dia comemora-se há mais de três décadas em todo o mundo e, este ano, a Escola Secundária da Quinta do Marquês comemorou "em grande" tal efeméride.
Os nossos alunos músicos, espalhados pelos corredores, pátios, Biblioteca e Sala dos Professores, mostraram ao longo do dia à comunidade escolar as suas competências nesta área e deliciaram todos os que tiveram o privilégio de os ouvir. A actividade foi preparada com algum segredo, daí a surpresa para a maioria quando se começaram a ouvir os primeiros acordes.
O balanço foi muito positivo, pois para além do prazer da música, os alunos participantes sentiram-se valorizados e a amizade foi promovida, de acordo com os objectivos criadores deste dia.

O Portugal de há 100 anos


No dia em que o país comemora o centenário da Implantação da República, parece interessante recordarmos o Portugal dos últimos anos da Monarquia, para podermos compreender o contexto histórico da revolta republicana.

Vivíamos, antes do 5 de Outubro, numa monarquia constitucional. O documento legislativo base da nação era a Carta Constitucional, redigida e outorgada por D. Pedro IV em 1826, e em vigor, pela terceira vez, desde 1842.
O regime assentava no rotativismo partidário, alternando à frente do governo os partidos monárquicos Regenerador e Progressista. O Partido Republicano, fundado em 1876, crescera substancialmente, devido ao desgaste da imagem da classe política portuguesa. Em 1906, João Franco tinha sido nomeado chefe do Governo e, no ano seguinte, é dissolvido o Parlamento e João Franco passa a governar "em ditadura".
Em 1908 dá-se o regicídio, sendo assassinados o rei D. Carlos e D. Luís Filipe, o príncipe herdeiro. Assim, o jovem D. Manuel II ocupa inesperadamente o trono.

Em termos sociais, o nascimento determinava a classe social a que os portugueses pertenciam, diferenciando-os em privilegiados (nobreza) e não privilegiados (povo). A esmagadora maioria da população vivia no campo; o operariado urbano era miserável; as classes médias lutavam contra a pobreza e a burguesia capitalista era diminuta e pouco investidora. A nobreza ocupava hereditariamente cargos públicos e administrativos. O clero, através da Igreja Católica, tinha um papel de relevo na nação, sendo o catolicismo a religião do Estado.
Cerca de 70% dos portugueses eram analfabetos e, no caso das mulheres, estima-se que mais de 80% da população feminina não sabia ler nem escrever.

Economicamente, o liberalismo económico português tinha fomentado a abertura ao capital estrangeiro e fora esse dinheiro que financiara grande parte das obras públicas da segunda metade do séc. XIX (caminhos de ferro, fornecimento de água e gás, transportes urbanos, etc), deixando a nação subordinada ao investimento estrangeiro. O défice das finanças públicas crescia sem controle, aumentando as despesas com as obras públicas e os gastos coloniais. As receitas provinham essencialmente dos impostos, cada vez mais pesados, e das remessas dos emigrantes no Brasil, mas eram insuficientes, por isso se recorreu sucessivamente aos empréstimos do estrangeiro. Face à excessiva dívida pública, ao incontrolável défice orçamental e à crescente dependência do capital estrangeiro (investimentos e empréstimos), o Estado português declara a bancarrota em 1892. A partir daqui a economia toma um carácter proteccionista.

O sentimento anti-monárquico cresceu muito no final do séc. XIX/início do séc. XX, acompanhando um período muito agitado em Portugal: o Ultimatum britânico (1890); a primeira tentativa de derrube da Monarquia (o fracassado 31 de Janeiro de 1891, no Porto) ; a declaração da bancarrota; a ditadura de João Franco; o regicídio...
Dia 4 de Outubro de 1910 eclode em Lisboa uma revolta republicana, e no dia seguinte, 5 de Outubro, a Primeira República Portuguesa é solenemente proclamada a partir da varanda da Câmara Municipal de Lisboa.
É este facto que hoje, 100 anos depois, comemoramos.
Mais interessante do que a efeméride em si, será reflectirmos sobre os sucessos e insucessos do novo regime político e sobre o que herdámos do novo modelo. Fica a sugestão.

Luísa Godinho




segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dia do Autor Português




Algumas imagens da Tertúlia de Poesia Portuguesa, na Biblioteca da nossa Escola

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um Serão Poético. Dia do Autor Português

Concorrendo com a abertura do Rock in Rio, realizámos na passada sexta-feira à noite, na Biblioteca da nossa escola, o anunciado Encontro de Poesia comemorativo do Dia do Autor Nacional . A sala estava bem composta, com alunos, professores, Encarregados de educação, dois elementos da Direcção e uma funcionária. Na mesa, dirigindo os trabalhos, estiveram a profª Olga e o David Silva (do 11ºE) e, ainda, os poetas convidados, Jorge Castro e Rui Ferreira.
O programa iniciou-se com a voz do João Mateus, acompanhado ao piano pelo Tomás Castro (ambos do 11ºE). Quem não tinha, ainda, ouvido o João a cantar, ficou muito surpreendido com a qualidade da sua voz e interpretação.
O poeta Jorge Castro relatou-nos, por seu lado, as actividades que desenvolve em prol da poesia, e brindou-nos com alguns dos seus poemas, onde se evidencia uma busca do "eu" e das "raízes". (Fiquei fã do poema "carochinha", que gostava de brevemente aqui transcrever, se o autor me der permissão...).
O nosso poeta David Silva leu alguns poemas que fazem parte do seu livro, recentemente publicado, Terra Fria.
Houve ainda oportunidade de ver uma apresentação de fotografias sobre o Parque dos Poetas, da autoria da Rita Abreu (10ºE), e escutar o sr. Rui, poeta popular (... e marido da D. Rita).
Alunas do ensino Básico e do Secundário declamaram ao longo da sessão, poemas de autores portugueses, ilustrando o tema do nosso encontro.
A todos os que colaboraram e contribuíram para um serão tão rico e agradável, o sincero obrigado da organização (a Biblioteca e o Clube do Património). Ainda um especial agradecimento aos colegas da escola-vizinha, por nos terem emprestado o piano.

E, por a poesia popular ser pouco estudada, mas não menos interessante, aqui fica um excerto do poema Parque dos Poetas, da autoria do sr. Rui Ferreira:


Quando há vontade de sobra
de lutar e de vencer
há quem ponha mãos à obra
p'ra que ela possa nascer.

Assim foi cá em Oeiras
onde o sol p'ra todos brilha
tanta gente sem "barreiras"
ergueu esta maravilha

(....)
Foi este um dos desafios
a uma arte rica e bela
não precisa de elogios
porque ela fala por ela.

(...)
Sei que os homenageados
que vemos por todo o lado
dirão sensibilizados
Oeiras, muito obrigado!
(Autor Rui Ferreira)

Luísa Godinho

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Gostas de POESIA?

Escreves poesia?
Declamas?
Gostas de ouvir poesia?
Então 6ª feira, dia 21, vem até à Biblioteca da nossa Escola, às 21h.
O prato forte é a poesia, mas também há música e imagem.
Um serão especial!

domingo, 16 de maio de 2010

Futebol e Multidões...

Os dois conceitos interligam-se na perfeição, mas não é bem a minha intenção ligá-los agora e aqui.
São somente pretexto para reflectir um pouco sobre fenómenos sociais e históricos (?) que nos acompanharam nas últimas semanas.
Assim, começando pelo caso do futebol, a recente vitória do Benfica provocou nos adeptos reacções de enorme alegria, a que a comunicação social deu relevo. Fosse em Lisboa ou no Porto (aqui com menor liberdade), ou em qualquer outro espaço de Portugal, benfiquista que se preze lá foi exprimindo ruidosamente o seu grande contentamento. Até aqui tudo normal e esperado... Menos esperado foi verificar a mesma felicidade em... Angola, Cabo Verde, Moçambique! Assistimos pelos telejornais aos naturais das nossas ex-colónias a gritar pelo "seu" Benfica nas ruas e avenidas. Contou-me uma amiga que, de férias em S. Tomé, presenciou os santomenses a seguirem apaixonadamente o relato dos jogos do campeonato português, em pequenos rádios colados ao ouvido... Hoje mesmo, os jornais dão conta da visita de uma comitiva do Benfica a Timor Leste, a convite de Xanana Gusmão, ele próprio adepto deste clube, e do grande amor dos timorenses pelo Benfica (e, eventualmente, por outros clubes lusos).
Realmente, razão tinha Salazar quando se referia à singularidade do colonialismo português! Claro que o argumento se prendia com a necessidade de justificar a manutenção de uma política colonial, enquanto as nações democráticas, lá fora, iam abdicando das suas colónias. Mas, lá que o fenómeno é extraordinariamente interessante... não o podemos negar. As ex-colónias africanas, com mais de três décadas de independência, mantém com a ex-metrópole laços apertados em forma de "bola". Dá muito que pensar!
Agora as multidões: O mesmo triunfo do Benfica fez explodir multidões por todo o lado; dias antes, a comemoração dos 36 anos da Revolução dos Cravos foi pretexto para recordarmos a multidão de portugueses nas ruas em 1974, particularmente no primeiro 1º de Maio em Liberdade ( como o profº Zé António referiu no seu post); a recente visita do papa Bento XVI a Portugal envolveu e fez sair à rua milhares e milhares de portugueses... Tenho reflectido, dado estas coincidências, sobre estes fenómenos de massas. Mas outro "efeito-multidão" se me apresentou de forma muito interessante na última sexta-feira, quando, com uns alunos do 12ºF, assisti ao filme/documentário Fantasia Lusitana, de João Canijo. As imagens de época testemunham as multidões que apoiavam Salazar, por exemplo, no Terreiro do Paço; ou que visitaram a exposição do Mundo Português; ou que assistiram à missa de inauguração e consagração do Cristo Rei, em Almada.
Temos aqui presentes vários tempos históricos da nossa contemporaneidade; temos também vários áreas, como a política, a religião, o desporto. Mas... e as multidões? Será abusivo pensar que as massas que apoiaram fervorosa e apaixonadamente Salazar e o Cardeal Cerejeira em 40, podem ter estado nas ruas em 58, junto de Humberto Delgado, e no Largo do Carmo em 74? E as massas que gritaram as palavras de ordem mais esquerdistas no 1º de Maio de 74, será que podem ter acompanhado esta semana o Santo Padre?
Resta-me a coerência dos adeptos do Benfica!

Luísa Godinho